Do recordar-se e do esquecer-se

sábado, 6 de novembro de 2010

Em 2007, a Reitoria da UFPE virou um cabaré acadêmico

Quando Tico e Teco entram em colapso fico imaginando sempre que ambos começam uma guerra particular no meio dos meus neurônios, revirando tudo. E eis que as coisas da memória remota brotam como água de esgoto no centro do Recife e acabo relembrando de coisas absurdas que há muito julgava esquecidas, mesmo algo relativamente mais recentes. 
Uma birra que eu sempre tive, com política estudantil, foi a (re)lembrança da vez. E olha que eu fui presidente do Centro Cívico do Colégio da Polícia Militar de Pernambuco na gestão 94/95, quando, justamente, eu estava de saída de lá, para alívio de uns seis oficiais do Corpo de Alunos...
E olhem que, apesar da minha fama (má) dentro das abafadas instalações militares, fora daqueles acalorados recintos, eu representava os alunos nas reuniões dos estudantes secundaristas. Confesso que minha decepção já começou dali, diante de jovens abastados que achavam que a luta armada iria dar cabo das mazelas sociais, e que me viam chegando fardado às reuniões e não se furtavam a me achincalhar, me chamando de "filhote da ditadura". Ficariam mais putos comigo, quando, ao ouvir aquelas sandices, entremeadas por citações de Mao e de Che eu dizia, do topo da minha sensatez: "Solução? Pro Brasi? Nem revolta armada, meu filho!Só cobrindo e descobrindo de novo. E olhe lá!"
As birras foram se perpetuando, tanto que quando fui cursar Filosofia, muito sabiamente eu preferia beber à me meter naquelas tertúlias comunistas, onde os líderes, que pregavam igualdade e tudo o mais, fumavam sua maconhazinha rotineira e iam embora nos seus carrinhos. Mas, alguns anos depois, sabe-se lá por que, eu, já no curso de Letras, acabei integrando o Diretório Acadêmico por um ano. Bastou. Quase que eu apanho por ser sincero demais.
Em 2007, a pretexto de protestar contra o Reuni (que, pasmem, aumentava vagas nas universidades públicas, e eles reclamavam, vá saber o porquê...) invadiram a Reitoria da UFPE. Eu ficava rindo, do aparato que eles criaram, de "rádio livre" e outras baboseiras, até que um dia eu discuti com uma maluca que apoiava a tal sandice, perguntando se ela achava que estava em Maio de 68.
"E se achar, o que é que tem?"
Bem, trabalhei quase sete anos em um hospício, e aprendi, desde ali, que com doido não se discute.
Acontece que, transformando a Reitoria num cabaré - que foi o que aconteceu - os funcionários não iam trabalhar (o que imagino que uma grande alegria) e por conta disso as bolsas de PIBIC e de monitoria começaram a atrasar, bem como os salários dos funcionários, por um motivo simples: quem iria fechar a folha?
Daí que os mui inteligentes esquerdistas calhordas perceberam tardiamente que, quando o bolso aperta, a ideologia vai pro espaço. E a insatisfação ficou geral pelo campus e os partidários da ocupação-putaria (as serventes que permaneciam no prédio relataram pequenas orgias, muita maconha e badernagem, inclusive com gente que não tinha nada a ver com o porquê da manifestação, como o MST, por exemplo) já ficavam irritados com quaisquer manifestações contra as atitudes deles.
Bem, acontece que eu estava precisado de grana e fui até à Reitoria ver como estavam as coisas. Alguns seguranças andavam pra lá e pra cá, com cara de enfado, enquanto a esquerda festiva se locupletava lá dentro. Perguntei a um dos seguranças como andavam as coisas e ele disse que estava tudo sob controle, com uma vontade imensa de dar uns cascudos em vagabundos, mas como o prédio era federal, só um PF podia dar cabo dos folgados. Olhei para cima e vi um bicho-grilo, sem camisa, tocando flauta doce. E perguntei: Por que tu não joga um paralelepípedo no cretino? 
Ele riu. O que não esperava era que eu me abaixasse e pegasse uma pedra, e tão rápido quanto me baixei para pegá-la fui rápido em atirá-la no idiota que cambaleou, mas não caiu. O segurança não sabia se ria ou se me recriminava, enquanto eu putíssimo gritava pedindo minha grana.
O povo do MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário - mais um desses acrônimos babacas, como PCO - Partido Comunista Operário, entre outros) viu o seu comparsa tombar e se apressou em arrancar as pedras portuguesas da calçada da Reitoria e tentar acertar em mim, que, besta que não sou, já estava, à essa altura, do outro lado do trevo que separa o prédio do campus em si.
O fato é que eu passei a ser uma persona non grata para esse povo, ainda mais quando eu disse, num evento, que não sabia porque ainda existia comunista no Brasil, já que era uma raça que levava fumo desde 1922...

Ao perdedor, as pancadas...

7 comentários:

Janaína Pupo disse...

Digamos que, muita pancada!

Boa semana.
Beijos!

Janaína Pupo disse...

Ah e esqueci de comentar...
Parabéns pelo blog. Estou seguindo pois gostei muito do conteúdo.

Roberta Souza disse...

Olá!!!

estou passando aqui para dizer que estou sorteado no meu blog uma linda caixinha de boneca de biscuit.

Participe!!!

http://robertaasouza.blogspot.com/2010/10/primeiro-sorteio.html#comments


Roberta souza

Álisson,
li o post e lembrei de tanta roubada que me envolvi nessas lorotas de movimento estudantil... É coisa que a gente morre de vergonha ahahahaha
Abraços

Elaine Gaissler disse...

Oi Alisson!
Sabe, lendo seu post fico a pensar em quantos desses "representes" são realmente politizados, se entendem de fato o que é isso.
Infelizmente essa situação não se restringe aos movimentos estudantis, não é?!
Abraço.

Mai disse...

Parece que fazer e depois pensar, dá nisto.

abraços

Janaína Pupo disse...

Vim lhe desejar uma boa semana.
Beijos.

 
 
 

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