Fim (ou fins)

sábado, 27 de novembro de 2010

M.Kuzmanovic/Reuters

Não. Não fiquei esse tempo todo sem postar pra chegar aqui e dar cabo do blog. Ele jamais irá acabar, espero, antes do fim-do-mundo. No mínimo, em sincronia com ele.
Embora eu já tenha jogado a toalha faz tempo. Ficar monitorando o fim do mundo é algo muito chato. O LHC é uma falácia, as Coreias não se pegam, Bin Laden fica no buraco dele ouvindo Whitney Houston e não dá cabo da civilização do mal... E nossas misérias, bem, elas tem uma porção de "especialistas" para animar a plebe.
Depois, porque, eu que sou uma pessoa até bem sabidinha (a custo), compreendi que, para felicidade ou infelicidade geral da nação, os fins não existem.
É tudo cíclico, e a gente vai acreditando que as coisas acabam para matar a nossa sede de conclusões, de pontos finais, de términos que alimentam nossos dramas, nossas próprias procrastinações. O que é o luto senão uma procrastinação da continuação daquilo que continua? O que é um "fim" senão a nossa necessidade de crer que tudo tem de ser definitivo?
E, no entanto, as coisas continuam, se transformam, se ressiginificam. Até aquilo que "morre" se tranforma no nosso peito e segue, e é retransformado quando nós mesmos nos despedimos deste vale de lágrimas.
E a gente espera o fim.
Esperamos o fim e nos espantamos que ele vem, mas ao mesmo tempo já está tão longe se preparando para voltar.
Ciclos. Eras de Ferro, de Barro. O Ouro, derretido, se diluiu e nos deixou entregue a essa mediocridade a qual a gente sempre tem de lutar pra se desvencilhar.
Escrevo isso porque talvez esteja passando por um desses ciclos que se acabam, para dar lugar a outros fins temporários, que nos põe em alerta ou numa melancolia, nem sempre divina, de caminhos certos que trilhamos, das burradas que praticamos pelas nossas impulsividades e os longos, médios e curtos prazos que abraçamos.
Algumas vezes o mero arrependimento não é o suficiente, mas também dar a cara a tapa está fora de cogitação. 
Aí sobrevem os fins, que nos colocam em estradas de ciclos diametralmente opostas as quais seguíamos. 
Abstrato?Subjetivo? Não sei, é o que vivo.
Depois do mestrado, praticamente acabado, talvez eu anseie por outros fins de mundo, outras mortes e outros massacres, chacinas íntimas que são tão necessárias para que o adubo das reflexões possa deixar florescer alguma coisa que subsista. Os anos são longos, curtos, loucos...
Os fins são os fins e no fundo tudo é mera continuação.

6 comentários:

Ana B. disse...

dei trela na parte do Bin Laden.. uashahshas

na verdade, esperava dele um gosto musical mais alternativo!

mas enfim, realmenteee.... "os trem num cabam"

são ciclos, ciclos, ciclos... e vai ficando cada vez mais entediante, não?

Alisson da Hora disse...

muito sacal...concordo totalmente...

Camila S. disse...

Malditos sejam os ciclos, os eternos retornos, os déja vus e toda essa parafernália que estão aí só pra impedir um finzinho sequer.

Esse mundo gosta demais de reciclagem...

Carla Ceres disse...

Nenhum ser jamais terá consciência de seu próprio fim. Do nosso ponto de vista pessoal, somente os outros morrem. Daí surge a angústia por sermos coletivamente mortais e individualmente imortais.

Janaína Pupo disse...

E qual teu blog mais ativo?
Beijos!

E quando um ciclo se fecha automaticamente já nos colocamos em outro ahahahah O cérebro não pode parar!

 
 
 

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