2010: O ano da má criação

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Para mim o ano de 2010 já vinha sendo arquitetado desde o final de 2008, quando eu passei no mestrado em Teoria da Literatura. Como o treco se faz em dois anos, cri piamente que 2009 e depois acabariam sendo a mesma coisa, a despeito das sutilezas temporais que regem os calendários. O que realmente aconteceu. Tecnicamente, esse ano jubilar (ah, meus 700 avós sorriram nos túmulos) irá até 15 de fevereiro (espero), que será a data da minha defesa. Depois, eu já posso me considerar num eterno 31 de dezembro de 2011, ou melhor, num eterno 20 de dezembro de 2012, já que segundo os maias, o mundo se acaba no dia seguinte.
Antes de tecer mais considerações, por favor desconsiderem a postagem do dia 27/11, em que eu filosoficamente digo que os fins não existem e que eu já não acreditava nem esperava mais que essa catarrada cósmica que chamamos de Terra sumisse qual estigma de paranormal incompetente.
Eu espero de todo o coração que essa merda se acabe. É minha única esperança.
Enfim, como eu dizia, esse anjo jubilar teve início em dezembro de 2008 e passou por um 2009 divertidinho, apesar dos dissabores futebolísticos. Grande parte da minha diversão foi subvencionada pela bolsa do CNPq e vejo que a minha diversão agora vai ficar mais rara do que ararinha azul no sertão da Bahia. Se alguém souber de um emprego, favor me avisar.
Com urgência.
Detesto traçar resoluções de ano novo, pra mim já basta a resolução de 1024x768 do notebook, mas o fato é que eu, animado pelo mingau governamental, em meados de 2009 imaginei umas promessas e expectativas que revisitei dia desses e vi que não fui lá muito feliz na concretização delas.
Primeiro que não comprei minha TV LCD de 42 polegadas. Acho que fiz bem, pois mal vejo televisão, essa eterna máquina de fazer doido, ia ficar encalhada no cubículo do meu quarto. 
A ideia de comprar uma boneca inflável para chamar de minha também não colou. Acho que foi por vergonha de mostrar uma nora plastificada para minha mãe. Bem, agora, no liseu, não tenho grana nem pra pagar um cineminha pra pobre garota fictícia.
Não bebi o absinto. Porque, se fosse para tomar essas porcarias aguadas que o Brasil deixa importar, era mais fácil ir na Cidade Tabajara no encontro de cavalos-marinhos e beber azougue (cana com pólvora). Desgraça só presta grande.
Eu vi a um jogo da Libertadores, justamente a que o Sport foi eliminados nos pênaltis para o Palmeiras, apesar de ter vencido no tempo normal (na qual o time paulistinha se safou de levar uma pisa história graças a Marcos). Como eu disse, desgraça só presta grande. E, nem assim joguei havaiana no juiz. Mas o chamei de filho de uma puta.
Não escrevi contos pornôs, afinal minha vida sexual já é uma ficção, então, pra quê escrever? Preferi ouvir  canções tristes para amantes sujos (eu recomendo).
Emagreci, sim. Talvez porque tenha ficado mais tempo bebendo. 
Exercitei e muito minha chatice. Mas, num mundo em que há tanta chatice, como não fazê-lo?
Infelizmente, nem sempre pude deixar de dar ouvidos a pessoas mais chatas do que eu. Tive uns arrancas-rabo com um povo por aí. Necessário para me livrar de alguns e perceber que já não sou tão bem vindo na vida de outros. Aí a gente tira o time de campo e deixa cada um seguir.
Não soltei bomba num brega. Detesto ver merda espalhada por aí.
Enfim, não farei resoluções para 2011. 
Ah, o título da postagem... Bem, 2010 poderia até ter sido mais divertido, mas a má criação das pessoas, na web sobretudo, pregando ódios, preconceitos, foi chatinho. A defesa das ideias políticas tornou-se um barraco inadmissível até pras pessoas mais barraqueiras. Na minha humilde concepção isso tudo é fruto da mente de gente má educada, que não levou aquelas corças que qualquer pessoa mediana, ao menos da minha geração e anteriores, levou. E essas pessoas creem ilusoriamente que podem sair por aí escrevendo o que querem e todos ainda tem de aceitar. Aplaudindo, o que pior. Por isso que 2010 foi o ano da má criação. E, infelizmente vai se prolongar em 2011. 
É por conta desse tipo de coisa que vou sustentar sempre a esperança no extermínio da raça humana. Depois de quase 10 mil anos aproximadamente de domínio efetivo (desde que o povo aprendeu a ser "civilizado") ficou um saco. Nem morrendo pra nascer de novo.
Que ao menos a destruição, seja agora em 2011 ou em 2012 tenha uma trilha sonora legal, toda feita neste ano de 2010. Isso eu faço questão de deixar, como um presente pálido. Carreguem os seus players e assistam ao fim. 
Eu ainda acredito.


P.S.: Todo o conteúdo dos links é de responsabilidade de quem os postou nos sites de compartilhamento. Se alguém vir me acusar de algo eu digo logo que o Julian Assange é o outro.
P.S.1: Estranho não ter nada brasileiro, né? Ou vocês queriam que eu colocasse Restart ou Maria Gadu cantando tschimbalaiê ou algo que o valha?
P.S.3: Bebendo hoje, não dirija. A não ser que você queria ver o fim do mundo sob outra ótica.

4 comentários:

Laninha disse...

Oi Alisson, suas resoluções passadas são legais rsrs...
E que venha o fim, então... rsrs

Brabous disse...

Não é esquisito traçar dois anos de uma vida com base numa bolsa de mestrado? Sei lá, eu fiz isso por 9 meses [e não nasceu nenhuma criancinha] com a iniciação e é... bizarro!
São só dois anos, mas... dois anos não é um monte de coisa?
É, acho que cada vez mais a gente deixa as pessoas seguir e tira o time de campo. Mas, com razão [na maior parte das vezes].
Hoje eu to muito "ah, talvez"..
Por via das dúvidas, vou ouvir a trilha sonora da destruição, já que só conheço uma destas músicas.
Cuide-se em 2011!

Alisson da Hora disse...

É bizarro, sim, Bruna... se eu estivesse trabalhando, sem a bolsa, talvez não tivesse encarado as coisas sob essa visão. Ou tivesse, mesmo assim, não sei. A verdade é que encarei como um ciclo meio compacto, e, apesar de tudo, ciclos tem lá os seus finais, ainda que imaginários, oferecendo o fio da meada pra o que vem a seguir... Foi estranho. Se eu passar no doutorado ao final do ano não vou encarar 4 anos como um só, só sei disso, ahaha.

=) beijo e cuidemos-nos todos!

Ana SS disse...

Alisson, adorei as suas resoluções.
Tanto que fiquei seguidora.
Que 2011 seja qualquer coisa, pois se a gente não espera muito, o que vier é lucro.
(não, eu não penso assim de verdade, só quis ser divertida).

 
 
 

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