Relendo algumas postagens antigas, parece que um ano transcorreu com a velocidade de um funcionário público numa quarta-feira às vésperas de um feriadão. Afinal, a percepção do meu tempo ainda estava ancorada em fevereiro deste ano...
Referências...
O fato é que agosto chegou e já é conhecida a minha ojeriza por esse mês xexelento. Ano passado ainda suportei heroicamente treze dias. Depois o carro desandou.
Para variar.
Como não sou Caio Fernando Abreu, que num surto de otimismo deu algumas dicas para suportar o mês do cachorro doido, achei que tenho o sagrado direito de refutá-lo e meio que pôr ordem na bodega, porque otimismo é das piores enganações que inventaram para a humanidade pulha.
Não adianta pedir paciência, porque paciência é faca de dois gumes. Então, se a gente pede paciência, logo virão um monte de ocasiões para testá-la: é o mauricinho que passa na poça d'água e te molha na calçada, é o sujeito que vai ouvir aquele funk da moda ao seu lado no seu celular comprado a 36 prestações (sem o fone, claro - e no último volume), é a mal-educada que vai furar a fila e ainda chamar a amiga para conversar com ela (na sua frente, é claro), o vizinho vai inventar de dar uma festa às duas da manhã de uma segunda, é o ônibus que vai queimar sua parada, a internet que vai cair (interrompendo o seu download)... E não adianta ter fé nessas horas, porque se tiver fé é capaz de aparecer um pastor para querer compartilhá-la. Aos berros.
Não adianta sonhar, porque é capaz de os pesadelos tirarem férias do Inferno para lhe azucrinar. Dormonid, lexotan, diazepam algum vão te salvar nessa hora. O café vai atacar sua gastrite, a programação da tevê continuará a mesma merda e a cada hora a possibilidade de algum pirado surgir na tua frente para querer bater um papo-cabeça será maior do que em épocas ditas "normais".
A sua sensibilidade às coisas que as outras pessoas dirão será maior, e as pessoas, percebendo isso, vão te azucrinar ainda mais. Sua cognição para a leitura será a menor possível e fatalmente aquele fantasma do passado vai inventar de lhe querer aparecer para conversar potoca contigo.
Jó, em sua sina de peão de xadrez na luta entre a Divindade e o Capeta, deve ter dado o seu grito, rasgando sua roupa e se cobrindo de cinzas em um agosto, enquanto seus amigos ficavam sofismando, achando engraçada a sua revolta. Em tempos normais de intolerância ele acertaria um paralelepípedo nas testas dos folgados para eles verem como é bom se lascar.
Então, o que fazer? Dando uma rápida olhada no calendário, pode-se notar que a solução é beber. Temos quatro sextas, quatro sábados e quatro domingos, ou seja, doze dias para encher a cara para tornar o agosto um pouco menos chato. Se a ressaca de agosto for um pouco mais forte, vale o risco, não será mais chatinha do que as ressacas normais, apesar do perigo que beber em agosto representa (micos, etc etc etc).
Por mim, eu hibernava, mas até hibernar seria temerário. Não se pode dar mole para esse mês.
Sempre alerta.
(Deixo um "poeminha", feito a quatro mãos, com a colaboração da Lígia , pelo twitter)
Tá, não tem muito a ver com o post, mas tá valendo.
Dialética do beber
Eu não me emociono, eu bebo.
- Eu bebo e me emociono.
Eu bebo e falo esperanto.
- E eu, só desenhando para entender.
Um eu,
Um você
-Dois fígados.



1 comentários:
hahahahahaha Agora vamos beber umas cervejas!
Postar um comentário