O Agosto dos outros (ou a revolta dos galináceos)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Hoje me convenci de que não vivo num mundo em que a realidade funciona de um modo racionalmente lógico. Lembrei-me da conversa entre Kafka e Max Brod, (em que ele diz que há muita esperança, infinita, mas não para nós) e lá pelas tantas Kafka diz que a gente é fruto do mau humor de Deus. 
Taí, concordo totalmente com ele.
Ou eu sou o filho do ex-mágico da taberna minhota, do Rubião.
A verdade é que hoje eu deveria ter uma máquina fotográfica em mãos, para registrar mais uma absurdice que aconteceu na minha vida, em que o cotidiano mais simples consegue ter em si uma situação insólita.
Depois dizem que eu implico com agosto e blá blá blá. 
Se bem que o fato em si, hoje, não me atingiu diretamente (não muito), até porque não foi assalto, não teve pirado batendo papo-cabeça comigo...  Só sei que preciso de uma máquina urgente, para registrar essas coisas. Já já passo por mentiroso aqui.
Acontece que eu fui pagar minhas contas no banco, aproveitando minha parca disposição, e apesar das minhas reservas quando ponho meus pés na rua. Ainda ressabiado do caso do assalto e escaldado depois de uma madrugada recebendo trotes a cobrar.
Foi nesse estado de espírito que fui ao centro do Paulista e já estava contente por não ter acontecido nada comigo. Mas você só pode se dizer seguro (ou não) quando está em sua casa, safe and sound.
Esperando o busão pra voltar para casa já fiquei incomodado com um enorme caminhão repleto de galináceos (como não sei quantas galinhas e frangos haviam lá, preferi não provocar um problema de gêneros aqui) descarregando os engradados com as penosas, mas estacionado na parada de ônibus, ou seja, local proibido. Havia um agente de trânsito tentando persuadir pacientemente (não sei por que não o multou logo) ao passo que o motorista falou para ele:
- Fica peixe, que agora só saio daqui quando descarregar tudo.
E os transeuntes que estavam comigo esperando seus coletivos obviamente que não estavam gostando da situação, tendo de correr alguns metros para embarcar e ainda suportar aquele cheiro peculiar que advém das aves in natura.
O agente resignou-se e só fez resmungar.
Daí, eu pensei comigo, "isso vai dar merda" e me afastei um pouco, talvez premido por algum instinto ancestral, que rastreia desastres. Que, aliás, não tardou.
Como imaginei, o caminhão, naquela posição, se aparecesse um ônibus em vias de frear nas últimas para encostar na parada, iria fatalmente atingi-lo. 
Foi o que aconteceu: um PE-15/Arthur Lundgren II abalroou a traseira do caminhão, não tão violentamente, mas o suficiente para fazer os engradados restantes despencarem carroceria abaixo.
Eis o pandemônio.
Ávidas por liberdade, centenas de penosas tentaram alçar voo, (algo complicado para os galináceos), passando por cima de senhoras indefesas e mancebos assustados que tentavam se desvencilhar dos esporões certeiros de exemplares mais afoitos, acossados por bolsas, pastas de colégio e tapas. 
Algumas, mais azaradas, voando para o lado contrário do caminhão, foram atropeladas por veículos que passavam, para a alegria dos cachorrinhos esfomeados que assistiam a tudo impassíveis, mas logo foram garantir a alimentação inesperada que estavam caídas na pista atrapalhando o tráfego.
Não, nenhuma galinha ou frango veio confabular comigo, jogar penas ou outras coisas mais desagradáveis em cima da minha imaculada camisa do Sport Club do Recife que eu envergava na hora, ainda que umas duas passassem, impávidas, aos meus pés, ciscando a calçada. 
Antes de subir no meu ônibus, quase me mijando de tanto rir, vi o motorista do caminhão aos tapas com o do busão, enquanto outros esfomeados, (dessa vez, humanos) garantiam a canja da noite, entre outros transeuntes sujos de titica, compravam água mineral ao ambulante, no afã de limparem-se.
Isto é agosto.

5 comentários:

Moni. disse...

Quero provas, do contrário, é lenda!
hahahahaha

Senti pena da penosa que "morreu na contramão atrapalhando o tráfego"...

=*

Alisson da Hora disse...

Minha palavra não vale?

Ana B. disse...

kkkkkkkkkkkk

agosto de vacas e galinhas hein xD

mas tô achando mto estranha essa hist´´oria do guardinha só conversar e não multar

=p

ℓ.mirella disse...

Noss, eu tenho pavor de galinhas, só de ler já fiquei agoniada... eu teria desmaiado lá, kkkkkkkkk

Espero q isso nunca aconteça comigo, poderia ser fatal, haha.

xD

Elaine disse...

kkkk...
Tentei comentar seu último post, mas não "rolou", mas estou sim acompanhando seu agosto rs.
Boa sorte, se isso é possível neste mês pra você! rs

 
 
 

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