E ainda torce pro Santa Cruz... (achei a foto no Blog do Santinha)
Passados os dias da folia momesca, entre a espontaneidade cada vez mais perdida do Carnaval e da necessidade midiática da alegria forçada pra turista ver eu lamento ao menos o feriado que se vai. Ano passado ainda fui um dia para Olinda, mas premido por um motivo louvável (ver uma amiga paulistana que deu as caras por aqui); não fosse por conta disso, teria ficado como neste 2012, em casa, vendo filme, lendo e lesando na internet.
Ao menos, entre as paredes do meu quarto, algumas lembranças afloram, inclusive a de que eu precisava atualizar o blog, esse representante derradeiro do pessimismo verdadeiro (acreditar no fim do mundo passou a ser otimismo, pra mim, então eu só monitoro as informações ilusórias da extinção da Humanidade pulha), que andava às traças, inda que virtuais.
Vendo na tevê imagens do Recife Antigo não pude deixar de lembrar de uma das figurinhas carimbadas das madrugadas passadas pelas ruas da Ilha do Recife. Poucas pessoas encarnam tão bem essa qualidade de pirado, bebum e desocupado quanto a Xuxa das Cachorras.
De passado tão obscuro quanto a marca de seu desodorante é possível vê-la TODOS os dias por aquelas bandas (embora eu já a tenha visto perambulando pelo Cais de Santa Rita, filando uma coxinha dos pobres passageiros que esperavam o bacurau - como chamamos o ônibus noturno por essas bandas), ela e seu séquito de caninos. É a versão pernambucana da Eleanor Abernathy, a doida dos gatos dos Simpsons. Obviamente que com cães.
Então, é comum vê-la com dois, três ou até oito cachorrinhos pelas ruas, todos defendendo-a dos engraçadinhos e desocupados, enquanto abanam o rabinho carinhosamente esperando um resto de espetinho ou mesmo por um copinho de cerveja (é, ela dá de beber aos vira-latas)...
Só a vi surtar uma vez, quando o Santa Cruz, por quem ela torce, permaneceu na Série D (em 2010), e ela foi provocada por uma trupe de rubro-negros na Rua da Moeda. Ela jogou paus, pedras e atiçou os cinco cachorros que estavam com ela nos rapazes, que saíram atarantados Marco Zero afora.
Nem sei como arranjaram essa camisa numa feijoada feita pelos santacruzenses na Praça do Arsenal, uma vez que reza a lenda que ela praticamente não sai de dia, mas ficou claro que quando há bebida e um petisco, isso pode ser subvertido.
No mais, é uma pirada calma, ainda existe desse tipo de doido por aqui, sabe-se lá até quando.




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